26 de outubro de 2006

A ascensão de um país chamado Brasil – Um case de sucesso.

Parece notícia de um jornal do dia primeiro de abril (aliás, vale a pena visitar: http://www.primeirodeabril.com.br). Mas pense bem. De um lado temos Luis Inácio Lula da Silva. Um trabalhador, operário, afetado fisicamente por um sistema de trabalho que ainda ameaça grande parte da população brasileira. De outro temos o menino moço, pertencente à classe emergente de São Paulo. Estudioso, cheio de oportunidades em sua vida, médico e bem relacionado socialmente.
Dois extremos. Para muitos uma situação onde não há nada em comum, a não ser a disputa pelo seu voto por um mesmo cargo (disputadíssimo cargo). E ao mesmo tempo em que temos esses extremos em uma acirrada disputa pelo poder, temos também o povo obrigado a se decidir entre um e outro. E há também aqueles que dizem que o voto nulo, que poderia muito bem representar o “meio termo, é uma perda de tempo e de despreocupação com o “exercer da cidadania”. É aquela história da democracia e toda sua hipocrisia; ou você escolhe este, ou você escolhe aquele. Mas lembre-se que a maioria sempre vence.
Olhando por outro lado e por um tema completamente diferente, temos os famosos chinelos de borracha da famosa marca Havaianas. Quem não se lembra da época em que aqueles chinelos “duocores” eram tão usados pela classe trabalhadora deste nosso Brasil? Preto e branco e azul e branco (quem lembrar de outra combinação de cores, sinta-se livre para comentar). Com certeza Lula já usou um par. Para ir para a escola, para o trabalho e até mesmo tomar um banho enquanto tem que arrumar o chuveiro. Esse é o primeiro extremo.
O segundo extremo conta com a abertura de uma loja exclusiva para a venda das sandálias Havaianas em Paris – considerado por muitos, a capital da moda internacional. Uma sandália disputadíssima, à venda por míseros 32 euros, e que faz os pés (e a cabeça) de celebridades, socialites e milhonários/bilhonários que passeiam por esse mundo mundo, vasto mundo. E quem sabe o nosso glorioso Alckmin (o “picolé de xuxu” vem quase que automaticamente) não usa durante suas férias em alguma casa de campo enquanto espera um churrasquinho.
Novamente os extremos aparecem. Mas é bom lembrar que, apesar de anos de um (re)posicionamento de marca, as Havaianas são usadas tanto pela diarista que limpa o Box do banheiro, quanto pelo presidente da república enquanto ele caminha pela praia.
Uma única sandália. Uma única moda. Independente de classe, sexo, religião, cor e tintura de cabelo, as havaianas podem ser consideradas as sandálias mais democráticas do mundo. Mesmo sendo um disputado item do capitalismo atual. E isso, podemos concluir, que dá-se pela brilhante união dos extremos. Todos juntos em torno de um interesse em comum; calçar os pés e ter o status que uma sandália de borracha pode trazer (?).
Agora considere o seu país mais importante que uma sandália de borracha. Mais importante que o status que um bem material pode lhe trazer. Considere o seu voto um fator importantíssimo no caminho por um Brasil melhor e... jogue no lixo.
Talvez a democracia não exista. Talvez o melhor seja unir forças e esquecer que um deles veio da classe trabalhadora e o outro veio da classe emergente. Talvez o melhor a fazer seja calçar sandálias havaianas e não ir votar no próximo dia 29 de outubro.
(em casa / ao som de nada / desanimado com as eleições e com esse país / categoria do post: "mundo mundo vasto mundo")

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"em casa / ao som de nada / desanimado com as eleições e com esse país"... Isso quer dizer que você não votou??
Ahhh, que ótimo!
Congratulations, my friend!

terça-feira, janeiro 23, 2007  

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