20 de julho de 2006

Baseado em fatos reais.

"Video-games não influenciam crianças. Quer dizer, se o Pac-man tivesse influenciando a nossa geração, estaríamos todos correndo em salas escuras, mastigando pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas".

Kristian Wilson, Nintendo Inc, 1989.

É difícil admitir, mas sim, somos altamente influenciáveis. Dependemos de outros, dependemos de idéias, dependemos de tendências. Como disse Jean-Paul Sartre, "...Ser é pertencer a alguém". Mas, tem sempre um mas (citando Marcelo Tas), mesmo que o Pac-man não seja um "alguém", e sim uma coisa, com certeza existiu alguém para criá-lo. Uma idéia que nasceu de outra. Uma reunião de conceitos novos, velhos, clichês. Tudo para formar o novo que, para ser novo, deve destronar algo velho. Lavoisier disse que na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Na propaganda, por exemplo, não é diferente; saber comunicar o óbvio de uma maneira nunca vista antes. Até um conselho, aquele simples e inocente conselho que você deu ontem, depende de fontes externas. Como diz aquele famoso vídeo "Wear Sunscreen", "Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale".

O negócio não é tentar evitar ser influenciado. Participar de festas com músicas eletrônicas, correndo em salas escuras (vamos deixar as pílulas mágicas de lado), é apenas mais uma parte da evolução humana. E não podemos culpar o pobre Pac-man, ou o inventor dele, por isso. Precisamos saber ser influenciados, escolher nossas fontes e, claro, tentar entender porque gostamos daquela idéia e/ou conceito.

As novas tecnologias digitais que influenciam bilhões de pessoas ao redor do mundo, conseguem também deixar essas pessoas ligadas. Vídeos, músicas, notícias e as mais variadas opiniões circulam diariamente em quantidade e velocidade nunca vistas antes. O que antes era um simples jogo cujo o objetivo era comer o maior número de "pílulas mágicas", agora é um universo a parte onde o principal objetivo é acompanhar tendências. Ser influenciado, mas de uma forma ativa. Saber receber informações, mas também saber, e poder, enviar informações. Uma grande troca de experiências, frases, opiniões. Um meio de comunicação em que as pessoas podem fechar a pop-up de anúncio e pesquisar sobre o mais novo celular lançado no Japão. Um meio de comunicação que pode ser resumido a um simples ato: o clicar do mouse. Interação. Alteração.

A grande idéia passada pela São Paulo Fashion Week desse ano é adotar novos estilos de comportamento. O que antes refletia o ambiente político/econômico/social, agora tenta impor um novo ambiente político/econômico/social. A "paz" é um desses "novos estilos" que os estilistas querem passar.

Atitude. Acho que, agora, estamos sendo moldados assim. Opinar e não ter medo de ser repreendido. Todo mundo falando, todo mundo escutando (e pensar que toda esse novo comportamento veio do Pac-man, ein?). Será que isso dá certo? Ou seria melhor publicar receitas de bolo enquanto o principal pedido é que o Pai afaste esse calice?

(diretamente do meu quarto / indo dormir / ao som de Crazy - Gnarls Barkley / essa banda estourou na Inglaterra sem gravar um cd; apenas lançando músicas na internet / categoria do post: "mundo mundo vasto mundo")

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Hey boy, cada vez mais quadrado...
Sempre nos apoiando no q jah foi feito, é o aprender, e também o criar... Juntando aki e mudando ali, conseguimos através d elos com o conhecido chegar a criações completamente inovadoras... Mas quem diria q o pacman seria taum influente??? rss

quinta-feira, julho 20, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Hum...me fez lembrar outra citação de Sartre..."o inferno são os outros..."aiaiiaia! isso me fez lembrar Freud...que, de certa forma, transfere nossos transtornos ao passado...às influências traumáticas provocadas, quase sempre, pelos outros...aiaiai!faz sentido?!...

sábado, julho 22, 2006  

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