17 de maio de 2006

Perder é possível. Acostume-se com o impossível.

Esses dias, enquanto assistia "Em Seu Lugar", fui arremessado na parede violentamente. É um daqueles momentos em que você tem a impressão de que entendeu um pouco mais sobre a vida. E ironicamente, esse entendimento da vida não foi com uma super experiência científica, onde as moléculas afetadas pelo cromo hexágono sofrem mutações nocivas ao ser humano. Mas vejam minha gente. O cromo hexágono tem uma função; evitar a ferrugem. Está ajudando a humanidade a evitar a ferrugem. Pena minha gente. Em um mundo onde ninguém é de ninguém, pensar em grupo é uma vitória. Pensar com um grupo e a favor dele, é um triunfo para a humanidade.
E assim foi. Me senti na Sociedade dos Poetas Mortos ao parar o tempo e contemplar aquele momento em que aprendi, ironicamente, um pouco mais sobre a vida. Me senti na Sociedade dos Poetas Mortos, ao entender um pouco mais sobre a vida e, ao mesmo tempo, me sentir um ignorante. Sabe aquela história de ter alguma coisa, não dar valor, e depois perdê-la? Então. "A arte de perder não é difícil de dominar.". Tenho uma leve impressão de que essa filosofia, se encaixada na vida de cada cidadão desse mundo mundo, vasto mundo, mudaria consideravelmente a maneira de Raimundo enxergar o mundo. Nossa. Quantos mundos! Sim. Se pararmos para pensar que cada pessoa constitui seu próprio mundo, são vários mundos. E acredite; uma coisa os une.
Existe uma coisa em comum que pode acabar com qualquer um. O ato de perder coloca em "xeque" todas as crenças e emoções do ser humano. Amor pela vida? Perca! E só assim saberá o que é, realmente, amor pela vida. Sexo? Perca! E só assim saberá o que é, realmente, o sexo. Chocolate? Perca! E só assim... blá blá blá. Já deu pra entender, né? Adrenalina. É o modo de a ciência chamar o ato de perder. Você salta de pára-quedas e sente que sua vida vai acabar. Mesmo que esteja completamente seguro, e sabendo disso, você sempre coloca em sua mente alguma situação impossível. E torna-a possível. Pois bem. Nada é impossível, qualquer um sabe e sente isso. O ato de perder, ou a adrenalina, como queira chamar, está intimamente relacionado com fazer o impossível acontecer. Você só consegue dar mais valor a alguma coisa se imaginar que você já perdeu aquilo, mesmo que seja impossível. Mas aí você pensa que nada é impossível, e assim, transforma o impossível em possível, novamente sentindo a adrenalina de estar prestes a perder alguma coisa. Enfim. É um alarme. Você sente aquela adrenalina, e acaba automaticamente dando mais valor a vida, agora generalizando.
Mas quando você não consegue sentir essa adrenalina? Ou simplesmente a ignora? Bem. Não digo que Deus irá lhe castigar, mas com certeza, um dia você aprende. Seja com alguém lhe dando um empurrão, seja com você perdendo alguma coisa um pouco maior do que as chaves da porta de casa. É a história de um quase famoso serial-killer na franquia de Jogos Mortais. Ah! Então você não dá valor a vida? Vou colocar você em perigo para ver do que você é capaz. Pena que a pessoa acaba percebendo que não deu valor as coisas um pouco tarde demais. E se arrepende. Mas se por um lado existem os que não conseguem sentir a tal adrenalina, existem outros que sentem. Sentem durante o processo normal de "aproveite a vida", mas sentem muito mais no processo de "não! eu não quero perder isso agora!". E aí entram aqueles famosos casos de mães que, quando vêem o filho debaixo de um caminhão, por exemplo, levantam algumas toneladas para tentar socorrer a vítima. É quando existe um último suspiro de adrenalina. É quando a pessoa percebe que o impossível tornou-se possível, mas quer que esse possível torne-se impossível novamente. É! Realmente. Nada é impossível. Melhor, é possível.

(poético / no meu quarto / ao som de um silêncio quase silencioso / categoria do post: "ó vida!")

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Crises e crises e mais crises.
Tem gente que nasce com o distribuidor de adrenalina meio enferrujado, por isso fica tudo para depois. Nem queria mesmo.
E sério, o que vai acontecer com os seus TRÊS blogs!?rs.

quarta-feira, maio 17, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Se pararmos para pensar. Sempre onde existe o ato de perder, também existe o ato de ganhar. Isso é imutável. Como podemos saber que a adrenalina está ligada ao ato de perder e não ao ato de ganhar se os dois estão intimamente ligados?
Por exemplo, a adrenalina talvez exista por se perder o chão ao pular de um avião, mas também pode existir por se ganhar o céu.
A adrenalina pode existir pelo fato de se perder um grande amor, ou pelo fato de ganhar uma nova oportunidade de conhecer outro. Posso ficar horas citando exemplos


O perder e o ganhar, assim como o bem e o mal, são valores contruidos por uma classe de homens bons. Mas entenda-se homens bons por homens ricos e nobres. Nada tem a ver com o ato de fazer o bem ou ter piedade.

Para finalizar. É bom sempre lembrar que o bem não existe sem o mal, e que é necessário estar pronto para perder e muito mais preparado para ganhar.

Afinal toda perda trás consigo ganhos maquiados que se revelam apenas depois da dor.

Abraços

quinta-feira, maio 18, 2006  

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