18 de maio de 2006

O homem no caso eu contra a paixão - Vol. II

O autor do protesto foi invisível, mas a mensagem não. Seria o homem, no caso eu, capaz de resumir sua existência a uma caixa de bom-bons; à comida? Porque então o homem estava brigando com a paixão? Não há mais nada que o homem possa dizer; ele agora estava se contrariando. Não tinha sentimentos, apenas estômago.
A paixão agora não estava mais na sua cor normal. Seu vermelho vivo agora estava cor de rosa, estava pálida! Ela não acreditava que estava sendo comparada, ou simplesmente substituída, por comida. O julgamento estava desordenado. O homem, no caso eu, estava confuso, enquanto trocava a paixão por àqueles bom-bons. A paixão sentia-se ignorada, desprezada. E enquanto o homem perdia a crença em seus sentimentos, a paixão perdia sua auto-estima. Ela sim estava sofrendo um homicídio culposo. Mas a paixão não deixaria que o homem a trocasse por aquelas caixas de bom-bons e um pote de sorvete altamente calórico.
Então o assunto vai se encerrar assim? Uma paixão passional? Um crime passional? Enquanto a pessoa que você deseja está lá fora, a mercê de ataques de todos os lados, por todos os outros tipos de sentimentos e emoções, você está sentado aqui trocando tudo por alguns bom-bons de licor de cereja? Faça-me o favor! O homem estava imóvel, tentando resolver sua vida e tentando, ao máximo, não dar ouvido à paixão. Ótimo! Não me escute! Mas fique sabendo que você pode me sentir, e isso você não pode evitar. Nesse momento a paixão tirou de sua bolsa um vidro de perfume. Quase não havia nada no frasco, por isso ela quebrou e jogou o líquido perfumado em cima do homem, no caso eu. Alguns olharam assustados e revoltados com a atitude da paixão. Isso é golpe baixo! Gritou a ignorância em pessoa.
O homem, no caso eu, parecia ter vida própria novamente. Seus olhos brilhavam e ele tinha certeza de que aquele era o perfume da pessoa desejada. A paixão sorria, vendo que conseguira devolver um pouco de esperança ao homem, no caso eu. Olhando para a paixão como se estivesse se apaixonado a primeira vista, o homem agora parecia enfeitiçado. Estava tentando entender a paixão, mas o Seu Orgulho também estava presente. Iria ele deixar a paixão ganhar aquele duelo? E assim ele se lembrou de tudo novamente. Do porque ele estava lutando. Ele não gostava de ser dominado pela paixão. Então não seja dominado por nenhum sentimento. Esqueça seu orgulho, esqueça a sua felicidade, esqueça o frio na barriga antes de ter que falar em público. Porque acredite. Todos eles atuam na sua vida! Esqueça também o medo, que serve para medir as suas atitudes. Esqueça o seu equilíbrio. Perca a razão! Se você não dá ouvidos a mim, esqueça a sua vida. Esqueça inclusive a loucura. Você não quer ter sentimentos, não vai ser nada. Não vai nem morrer, pois para morrer, você tem que aceitar a vida e todos os seus anexos. Tem que aceitar a tristeza e suas lágrimas. Tem que ter, ou não ter esperanças.
Chorando. O homem agora estava chorando. Estava angustiado. Por algum momento sentiu-se arrependido. Não sinta-se arrependido. Você não pode! Você não acredita nos seus sentimentos. Pare! Gritou o homem descontrolado. O alvoroço no tribunal, antes controlado, agora se tornara audível. Você não tem o direito de mandar em mim. De mandar em minha vida. Vocês não têm o direito de interferir nas minhas decisões! O sentimento de revolta é o principal motivo de você estar aqui. Falou a calmamente a paixão. O homem não estava mais entendendo nada. Teria ele liberdade naquele mundo? Se ele não podia nem se revoltar livremente, o que estava fazendo ali então? Lutando contra seu próprio sentimento de revolta? Um sentimento que estava ao lado dele? E a paixão? Também não era dele? Também não estava ao seu lado?
E é assim que o julgamento termina. Declaro que meu julgamento baseou-se nas evidências apresentadas e, por isso, dou direito para a paixão continuar a atormentar a vida dos pobres homens sem liberdade. Mas devo ressaltar que, esse é o dever da paixão. A verdadeira paixão não deixa o homem em paz, e utiliza-se dos mais variados elementos de persuasão para fazer com que o homem, no caso eu, lute contra ela e um dia perceba que nada pode fazer. Deve correr atrás do seu desejo. Nunca deve deixar de ter esperança.

(no meu quarto / ao som da versão acústica de Drive - Incubus / conformado com o fato de estar apaixonado / de certo modo, feliz / categoria do post: "queijo com goiabada")