18 de maio de 2006
E aqui estou. Sentado em uma simples cadeira, assistindo à uma “complexa” aula de inglês. Tá. O “complexa” não precisaria estar entre as aspas. Afinal, o que torna essa aula tão complexa é o fato de eu ser/estar (odeio o verbo to be) complexo. Why is everything so dificult, e porque atribuem os sentimentos mais complexos (estou me referindo ao amor e cia) ao coração? Pô! O coração, de acordo com a medicina moderna, espetacularmente baseada nos estudos de Leonardo Da Vinci (e eu não sei qual é a importância desse comentário), é um músculo involuntário. Ah... tá... agora as coisas se organizaram. Talvez pelo simples fato de não controlarmos nossos sentimentos por alguém, elegemos o coração para representar os complexos sentimentos que sentimos (olha a redundância) quando nos consideramos apaixonados (eu acho que essa frase ficou muito longa). Porque eu não posso escolher? Ah! Qualé?! Isso é injustiça. Às vezes me sinto tão livre; será que escolher por quem se apaixonar não seria legal?
À pessoa que estiver me assistindo agora, enquanto eu escrevo, nessa “boring class”, declaro que estarei, com esse documento, defendendo o deferido cliente: A Paixão. Esta sob a acusação do outro personagem (não sei termos jurídicos); O Homem, no caso eu. Sim. Eu defendo e acuso. É justo não? O Homem, com toda sua razão, no caso eu (auto-crítica), quer aprovar a lei que permite o livre-arbítrio sobre os sentimentos; os PRÓPRIOS sentimentos (ressaltando a gravidade do problema com o destaque da palavra “próprios”). Talvez não devêssemos utilizar a palavra “próprios”. Como defende indignadamente a Paixão, pelo simples ato de se defender, ela possui vida própria.
Caindo na exigência de livre-arbítrio dos sentimentos humanos, estamos favorecendo, então, o cliente defendido; a Paixão (a Paixão agora está mais calma; atenta ao julgamento). O Homem, no caso eu, está esquisito. É estranho, pois posso adentrar e descrever, praticamente, todo o pensamento do Homem, no caso eu, e da Paixão. A Paixão acha que está certa. O Homem acha que a Paixão não está certa. Por favor; silêncio no tribunal (o telefone celular do Homem toca...).
Vamos aos fatos concretos, baseados em uma opinião concreta. Sei lá! Um doutor com PÓS, M.B.A., P.H.D.... O homem se levanta, bravamente confiante. Parte para as acusações “convincentes”. Comprovados por experiências próprias... “Isso é testemunho!”, gritou a Paixão. Comprovados por fatos clínicos, clinicamente comprovados (o Homem está desnorteado devido a objeção da Paixão), o Homem sofre de fatos clinicamente comprovados (o Homem continua desnorteado...). Fatos como o stress, stress emocional, stress psicológico, stress físico e, enfim, stress por desejo de sumir na frente da pessoa desejada. Este último pode causar suicídio (alvoroço por parte da Paixão; ela afirma que não mata e nunca, nunca matou ninguém). Além da falta de alimentação, sono e provável desenvolvimento do ridículo ato de não parar de pensar na pessoa desejada. Estes últimos fatos, ressalta o acusador, levam ao stress (risos). O Homem está sem mais argumentos, de repente.
A Paixão aproveita para intervir enquanto o homem está distraído e sem argumentos; ela sabe que o Homem, na verdade, está pensando na pessoa desejada. A Paixão utiliza-se desse ponto para defender que pensar na pessoa amada traz conforto nas situações mais conflitantes e angustiantes da vida; como acontece, naquele exato momento, com o Homem. Enquanto ele, o Homem, no caso eu, pensa na pessoa desejada, ele sente-se mais angustiado, pois não está com a pessoa desejada. Então a paixão logo interveio. Ninguém fica angustiado pensando na pessoa desejada. Você dorme pensando nela, acorda pensando nela. A dor é um sentimento, biológico, necessário (ressalta-se o aumento no tom da voz da paixão na palavra “biológico”.). Serve para indicar que alguma coisa está errada com o organismo. A paixão, se fosse uma dor, não teria tanta utilidade na construção de uma nova fase na vida humana. Estabelecer relações, ter apenas mais um motivo para viver, pois acredite; tem gente que não tem nem um motivo para viver. O ser-humano só vive se estabelecer desejos em sua vida. Imagine um tabuleiro de jogo. Qual é o objetivo? Vencer o jogo (o homem respondeu desconfiadamente e sem muita empolgação). E como vencer o jogo? Jogando os dados para adquirir novas oportunidades (respondeu a paixão sem dar chance ao homem, no caso eu.). E como jogar esses dados? Simples. Aguarde o jogador anterior à você joga-los. Isso é a paixão. Ninguém vive sem o outro. Você necessita do outro. E não estou só falando de uma paixão absurda, louca e amorosa. Estou falando de uma paixão por pessoas em geral; uma paixão pela vida. Eu sou a Paixão e digo: Você, ser da razão, o homem, no caso eu, não tem o direito e muito menos a capacidade de me extinguir! Você morre junto comigo! (Alvoroço, barulho, desordem...).
Muitos ali presente, inclusive o homem, no caso eu, não paravam de murmurar. Fora aquilo uma ameaça? O homem não vive só de paixão! Vive da necessidade, simples necessidade, de ter de sobreviver; se alimentar. Não agüenta a fome. Acuse a fome! Mate a fome então! (gritou a Paixão descontrolada / Uma caixa de bom-bons imediatamente acompanhada por um pote de sorvete, foi arremessada em direção ao homem neste exato momento. Ninguém viu o autor deste desaforo.)
(apaixonado [quem nunca esteve?] mas também iludido / eu acho que me enganaram / não... eu me enganei... / mas também me enganaram / quando escrevi esse texto, estava em uma aula de inglês / ao som da tosse da minha mãe e da máquina de fazer pão batendo a massa / categoria do post: "queijo com goiabada")


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